ENTENDA SE COMPENSA AINDA CONTRIBUIR COM 60 ANOS

Muitas pessoas chegam aos 60 anos com uma dúvida importante: ainda vale a pena pagar o INSS? Esse é um questionamento comum. A resposta depende de alguns fatores, como o tempo já contribuído, a idade, a quantidade de contribuições feitas ao longo da vida e até mesmo o objetivo da pessoa, se deseja se aposentar, aumentar o valor do benefício ou manter a proteção previdenciária.
A boa notícia é que, em muitos casos, ainda pode compensar contribuir após os 60 anos. Porém, é preciso analisar as regras atuais da Previdência Social para evitar pagamentos desnecessários.
O que a lei exige hoje para aposentadoria?
Após a Reforma da Previdência (EC nº 103/2019), as regras mudaram. Atualmente, na aposentadoria programada (aposentadoria por idade), os requisitos gerais são:
- Mulher: 62 anos de idade e mínimo de 15 anos de contribuição;
- Homem: 65 anos de idade e mínimo de 15 ou 20 anos de contribuição, dependendo da data de filiação ao INSS;
- Carência mínima de 180 contribuições mensais.
Além do tempo de contribuição, o INSS exige a chamada carência, que corresponde ao número mínimo de contribuições efetivamente pagas. Nem sempre tempo de contribuição e carência são a mesma coisa.
Então ainda compensa pagar depois dos 60?
Em muitos casos, sim.
1. Para quem ainda não completou a carência mínima
Uma pessoa pode chegar aos 60 anos sem ter os 15 anos mínimos de contribuição. Nesse caso, continuar pagando o INSS pode ser essencial para conseguir a aposentadoria futuramente.
Exemplo:
Uma mulher com 60 anos e apenas 10 anos de contribuição ainda não possui o mínimo exigido. Se continuar contribuindo por mais cinco anos, poderá atingir os requisitos necessários para se aposentar aos 65 anos.
2. Para aumentar o valor da aposentadoria
Mesmo quem já possui o tempo mínimo pode continuar contribuindo para melhorar o valor do benefício.
Após a Reforma da Previdência, o cálculo da aposentadoria passou a considerar:
- 60% da média de todos os salários de contribuição desde julho de 1994;
- Acréscimo de 2% ao ano que ultrapassar 15 anos de contribuição para mulheres e 20 anos para homens.
Isso significa que continuar contribuindo pode aumentar o percentual recebido na aposentadoria.
Exemplo:
Uma mulher com 15 anos de contribuição receberá 60% da média salarial. Se ela contribuir por mais cinco anos, poderá aumentar esse percentual para 70%.
3. Para manter a qualidade de segurado
Quem contribui para o INSS também mantém acesso a benefícios previdenciários, como:
- auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença);
- aposentadoria por incapacidade permanente;
- pensão por morte para dependentes;
- salário-maternidade, em alguns casos específicos.
Ou seja, mesmo após os 60 anos, continuar contribuindo pode servir como uma proteção previdenciária.
Quando pode não compensar?
Há situações em que continuar pagando pode não trazer vantagem financeira significativa.
Isso pode acontecer quando:
- a pessoa já cumpriu todos os requisitos;
- o benefício já alcançou um valor próximo do teto possível dentro da realidade contributiva;
- faltam poucos anos de vida contributiva e o aumento do benefício será pequeno;
- os pagamentos estão sendo feitos sem planejamento previdenciário.
Além disso, contribuir com valores altos perto da aposentadoria não garante aumento proporcional do benefício, já que o cálculo considera toda a média contributiva desde julho de 1994.
Posso pagar como facultativo depois dos 60?
Sim.
O INSS permite contribuição como segurado facultativo para pessoas maiores de 16 anos que não exercem atividade remunerada obrigatória.
Existem opções de contribuição:
- 20% sobre o valor escolhido entre salário mínimo e teto do INSS;
- 11% sobre o salário mínimo, no plano simplificado.
No entanto, quem contribui com 11% possui limitações e não pode utilizar essa modalidade para aposentadoria por tempo de contribuição.
E pagar INSS atrasado resolve?
Nem sempre.
O recolhimento em atraso pode exigir comprovação da atividade exercida e o INSS pode não reconhecer automaticamente todos os períodos pagos fora do prazo.
Por isso, antes de realizar pagamentos retroativos, é importante verificar se aquele período realmente contará para aposentadoria.
O mais importante: fazer um planejamento previdenciário
Cada caso possui regras diferentes. Há pessoas que precisam contribuir mais alguns anos. Outras já podem pedir aposentadoria imediatamente. Em alguns casos, continuar pagando pode aumentar bastante o benefício; em outros, o ganho pode ser pequeno.
Por isso, antes de começar a pagar ou continuar contribuindo após os 60 anos, o ideal é realizar uma análise previdenciária completa.E o escritorio Penteado Santana pode te ajudar com isso.
Espero ter ajudado.
Juliane Penteado
- Advogada previdenciarista;
- Palestrante;
- Professora de pós-graduação e cursos de extensão;
- Coordenadora Regional do Centro-Oeste do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP);
- Diretora Adjunta de Relações Institucionais;
- Diretora Adjunta de RPPS;
- Diretora Adjunta de Relacionamento com o Direito das Famílias;
- Todas pelo Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP;
- Sócia-proprietária do escritório Penteado Santana Advocacia.





